Rev. José Magalhães Furtado

“…Gloriamo-nos na esperança da glória de Deus. E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. Ora , a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado.” Romanos 5. 2b – 5

Ganha espaço entre a população evangélica brasileira, um evangelho adaptado do business, do poder do pensamento positivo, da auto ajuda, da prosperidade mágica. Um evangelho que comporte o sucesso sem sacrifício, sem preço a pagar, sem qualquer tipo de renuncia , fugindo do sofrimento, como o diabo foge da cruz.

O Cristianismo é a maior religião do mundo, o protestantismo cresce exponencialmente no Brasil, mas, cresce também esse viés do nominalismo; ou seja, dos religiosos só de nome; aproveitadores de um certo tipo de marca registrada que garante o céu como premio ao fim de uma jornada. È visivel, que uma parcela razoável dos cristãos estão dando um jeitinho de chegar ao céu , fazendo o menor esforço possível e ainda posando quase nu ou nua, como destaques das Escolas de samba, sem o menor constrangimento, à semelhança do “cristão novo” no Brasil colônia, onde as pessoas se tornavam cristãos à força.

Não tem nada a ver, diz o arauto do modernismo ao rapaz crente que recusa o copo de cerveja ou uma noitada de vale tudo, sob a ótica de que Deus perdoa. Poucos falam sobre isso, porque esse discurso afasta o crente nominal, que acaba achando um lugar que o aceite sem questionar nada. Descobre nessa busca um culto com muito riso, muita alegria, mas pouca transformação de vida; alguma coisa precisa ser feita!

Paulo escrevendo aos romanos, ensina que existe um segredo para tornar o crente frágil em um vencedor de conflitos e batalhas espirituais. Em primeiro lugar, todo crente deve gloriar-se em conhecer a Deus, de fazer parte de seu rebanho, de ser contado entre os leais servos do Senhor. Agora, quem quer tornar-se forte tem que vencer as tribulações. A tribulação é uma ferramenta de fortalecimento ; quanto mais tribulações você vence, mas persistente , mais tenaz você fica. Se na primeira ou segunda situação difícil que você enfrenta , logo desiste, vai continuar perdendo até se acostumar com a derrota. Mas ao contrário, se você enfrenta e vence, ou se perder, se prepara para enfrentar novamente a adversidade e vencer, você está construindo as bases de uma vida que não será derrubada pelo vendaval.

Devemos nos gloriar nas tribulações, pois será através desse combate que a vitória nos virá. O crente precisa ser constituído de uma tempera, consistência, que o habilitará a enfrentar tudo que for necessário para obter a vitória em nome de Jesus.

A experiência é outra virtude desejável para quem quiser se tornar um vencedor, e como podemos nos tornar experientes? Com a perseverança, constancia em não desanimar diante dos obstáculos ou dificuldades da vida. As dificuldades são oportunidades para testarmos o nosso desempenho; enfrentar os problemas até vence-los, é um sinal de que estamos ganhando experiência em vencer, diferente de se acostumar a perder.

Quando combatemos o bom combate sem desanimar, cresce em nosso espírito a certeza de que o próximo embate, será somente mais um deles, venceremos como tem sempre acontecido. Esta constatação é conseqüência de uma vida de vitória aos pés da cruz; até aqui nos tem ajudado o Senhor, declara o crente; esta declaração é o fio condutor da esperança. Deus está conosco, já tem demonstrado diversas vezes; o seu auxilio pode ser sempre esperado, na angústia ou fora dela. A esperança de que o Deus que servimos é fiel, nos ajuda, quando as dificuldades aumentam, desafiando a nossa fé. A esperança se impõe, como no hino em que o autor exclama como voz de Deus: Guarda o forte em breve eu venho. Ou seja, a ajuda está chegando, resista só mais um pouquinho e a vitória aparecerá. Os portões da nossa fé às vezes parecem que vão ceder, então por causa da esperança fazemos surgir uma energia que já não tínhamos, uma vontade de vencer que estava claudicante. A esperança traz o novo de Deus, o socorro na hora oportuna, a fé de que vamos vencer novamente, bastando resistir mais um pouquinho.

O livro de Hebreus, fala de um tipo de crente que precisamos voltar a ser. Daquele tipo que deixa uma boa impressão, um bom testemunho; que crêem no que a Bíblia ensina, e procuram com o estudo entender o que ela diz. Crentes que agradaram ao Senhor como Enoque; que construíram uma arca que foi considerada uma insanidade, antes da chuva. Crentes com Abraão que obedeceu firmemente, gerando uma família que andava por fé.

Os tempos tem mudado, mas isso não chega a ser uma novidade. A novidade nesses tempos de Nominalismo, descrença e falta de fé, é que Deus não muda; seus atributos continuam valendo, sua misericórdia continua não tendo fim, seu amor excedendo ainda hoje a nossa compreensão e a sua justiça decididamente não falhará, não faltará !

Então o segredo que transforma o crente fraco num vencedor, e o crente forte em mais do que vencedor: é crer em Deus acima de todas as coisas, obedece-lo acima de qualquer circunstancia. Isto posto, ser justificado pela fé em Cristo Jesus, gloriar-se nas tribulações, produzir perseverança, gerar experiência, acalentar a esperança e viver cada dia, para fazer a vontade de Deus, pregando o evangelho a toda criatura, fazendo discípulos de todas as nações, combatendo o bom combate, acabando a carreira, guardando a fé e esperando receber a coroa que todo vencedor terá direito no fim de todas as coisas. E isto está disponível a qualquer pessoa, de qualquer etnia ou nacionalidade; não basta mais mostrar o cartão de membro, tem que mostrar é a vida transformada. Amém !

Rev. José Magalhães Furtado