E, saindo ele do templo, disse-lhe um dos discípulos: Mestre, olha que pedras e que edifícios! E, respondendo Jesus, disse-lhes: Vês estes grandes edifícios ! Não ficará pedra sobre pedra que não seja derribada.” Mc 13.1-2

No dia onze de setembro de dois mil e um,terça feira, pela parte da manhã, eu estava na Sede Regional na reunião da Coream, quando o bispo recebe um telefone e diz: Dois aviões foram lançados sobre as “Torres Gêmeas” em Nova York, e um sobre o Pentágono em Washington; a reunião acaba nesse momento, não há mais nada a falar ou a dizer, é momento de orar e ligar para algum conhecido que estivesse perto desses locais.

Comecei a ligar para a minha filha Cintia, que dirigira no dia anterior 14 horas do Mississipe até Washington e tinha ligado para gente dizendo que chegara bem, estava bem perto do Pentágono, descansaria na terça e na quarta feira começaria seu estágio de jornalismo num jornal da cidade. Horas de apreensão e oração até que ela consegue ligar para mim, falando da tragédia que ela viu da janela do apartamento, naquela fatídica manhã do 11 de setembro.

Passaram-se dez anos, e aqui estamos nós administrando nossas memórias; lembrando-nos dos três mil mortos da tragédia, das famílias desfeitas pelo terrorismo, das cidades dilaceradas, do mundo que nunca mais foi o mesmo, das guerras desnecessárias de todo dia , de Bin Laden, e de outros idealistas que perderam o rumo.

Temos uma estranha mania de perenizar tudo, de super valorizar o transitório e esquecer o perene, o que permanece. O discípulo está deslumbrado com a grande obra de construção que o homem pode fazer, Jesus está preocupado com a grande obra de redenção que está por ser feita; tudo o mais passará: templos, prédios, costumes, beleza, riqueza; então é melhor guardar o tesouro do céu, e não somente investir nos tesouros da terra.

Em nossa vida, em muitas situações olhamos para o passado, e dizemos como o jovem rico da parábola: Alma come, bebe, regala-te, tens em tesouro muitos bens. Ou nos orgulhamos da reputação que construímos, da educação que demos aos filhos, do patrimônio econômico financeiro que deixaremos para os herdeiros, da coleção de selos que por trinta anos ocupou a nossa atenção, etc.

Não ficará pedra sobre pedra, não ficará vestígio da civilização, não restará nada que cause orgulho extremo , as pedras da vaidade cairão, também as da violência, do apego exagerado as coisas desse mundo, a super valorizada cultura do corpo, as diferenças étnicas, culturais, comportamentais, de classe, tudo passará.

Mais cedo ou mais tarde, todos estaremos diante do “Altíssimo”, e seremos julgados, mais pelo que fomos, do que pelo que fizemos. E não haverá nada que o pai ou a mãe possa fazer por nós, não haverá nada que possamos fazer naquele momento, o que tínhamos de fazer ou não, já estará feito; então se seguirá o “Juízo final”, cada um dará conta de si mesmo a Deus.

Nesses dias, de reflexão e dor, que a inspiração pelo exemplo de Jesus, nos anime a valorizar o outro, a não levar a vida tão a sério, a perdoar o máximo possível, a ligar de vez em quando para alguém que já tenha sido seu amigo, só para dizer que está sentindo saudade, e sobretudo, ajudar o máximo possível de pessoas a conhecerem a Jesus e a serem salvos por ele; porque não ficará pedra sobre pedra, que não venha a ser derrubada, no final só restará o amor, que deveremos amar uns aos outros.

Pr. José Magalhães Furtado